Assim acontece no livro A revolução dos bichos (1945), sátira feita à União soviética comunista, mas que poderia referir-se a qualquer situação em que alguém, ao ocupar uma posição de maior poder, muda suas convicções e, em termos futebolísticos, as regras do jogo. Difícil não pensar no caríssimo Presidente da República que, historicamente contrário à reeleição, chegou a cogitar um terceiro mandato ao tornar-se Chefe de Estado...
Mas como política não é o assunto do blog, justifico agora o “prefácio” deste post. Hoje pela manhã, li um comentário sobre um fato que todo mundo conhece há muito tempo: o privilégio (monopólio?) da Rede Globo para transmitir jogos do Brasileirão. O Contrato da emissora com o Clube dos 13 (união dos 20 maiores clubes de futebol do Brasil, responsável pela negociação dos direitos de transmissão de campeonatos) permite que a Globo cubra qualquer proposta de outras emissoras, o que está bem claro em uma cláusula de privilégio. Assim, a emissora sempre detém os direitos de transmissão, prática ilegal por impedir a livre concorrência.
A denúncia feita pelo Ministério Público está pronta para ser julgada: até o final do ano, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica, órgão responsável por fiscalizar abusos do poder econômico e por regular a concorrência) pode optar por uma punição à rede Globo e ao Clube dos 13. Quando os jogos são exibidos sempre pelo mesmo canal, o torcedor perde o direito de optar por seus narradores e comentaristas preferidos, entre tantas outras coisas.
Fica bem nítido que no mundo da concorrência, todos são iguais. Mas uns são mais iguais que os outros...